Movimento Emaús
Foi na primavera de 1949 que tudo começou quando o deputado francês Abbé Pierre encontrou um homem que fizera uma tentativa de suicídio. Em vez de lhe propor o que poderia faltar para a sua felicidade, Abbé Pierre pediu-lhe que o ajudasse: “Ajuda-me a aliviar os mais infelizes do que nós. Eu já não posso mais".
Sob a influência deste apelo amigo, o desesperado tomou repentinamente gosto pela vida. Mais tarde, várias vezes ele repetiu: “Não precisava de coisas, mas apenas de uma razão para viver”. E a razão para VIVER encontrou-a nesta proposta do Abbé Pierre.
O encontro desses dois homens resultou no nascimento da primeira comunidade Emaús. Mais tarde, milhares de homens e mulheres, atentos ao mesmo apelo, ganharam coragem e dedicaram suas vidas ao alívio dos mais infelizes, seja qual for sua terra de origem. São os Companheiros de Emaús.
Companheiros de Emaús, quem sois?
Somos feridos da vida, feridos na alma ou no corpo, todos mais ou menos “amputados”.
Alguns nem conheceram os pais, são órfãos. Outros, pelo contrário, viveram durante anos uma vida de família exemplar. De repente, por qualquer razão, guerra, luto, divórcio ou falência, tudo desmoronou. A maioria viveu o drama da separação.
Os que conseguiram chegar aos 35, 40 ou 50 anos, já haviam trabalhado arduamente, muitos em ofícios duros e perigosos. Aparentavam mais idade, gastos pela vida, na alma e no corpo. E depois - para que escondê-lo? - o alcoolismo, que em certos casos, minou a condição de ser humano.
Talvez ainda haja pior: até o espírito foi humilhado. Sentiram-se transformados em “coisas”. Uma sociedade cujo objetivo é o dinheiro, ganho por todos os meios, à custa da exploração dos mais humildes, serve apenas para descontrolar o ser humano.
Eu precisaria de muitas páginas para falar do sofrimento dos que procuram o Movimento Emaús. Mas, meu desejo é provocar uma reflexão e quem sabe, amigo leitor, esta palavras lhe dêem vontade de começar a atender, de alguma forma, ao chamado de Abbé Pierre.