Vera, natural de Lengerich, cidade no Oeste da Alemanha, chegou ao Brasil em 2001, com seus pais, fixando residência em São Paulo, onde ficou até 2004. “Desde então, eu sempre quis voltar ao Brasil porque eu tinha o desejo de conhecer mais do país, da cultura, das pessoas e da língua”, disse. Buscando realizar esse desejo, Vera conheceu
IN VIA no fim de 2008 e, um ano depois, retornou ao Brasil, desta vez, a Fortaleza. A seguir, um rápido bate-papo com essa jovem que deixou seu país natal para vir dedicar seu tempo, energia e humanidade aos pobres de Vila Velha.
MOVIMENTO EMAÚS VILA VELHA - Você veio a Fortaleza de um projeto da Alemanha, o IN VIA. Fale um pouco desse projeto. Quando ele foi criado? E qual é a importância dele para os jovens da Alemanha
VERA HOFFMANN - Esta organização trabalha com jovens, especialmente com mulheres na Alemanha que passaram por qualquer tipo de dificuldades e dão o maior apoio possível a elas. Em janeiro de 2008, IN VIA mandou, pela primeira vez, voluntários para Emaús. Dentre muitos outros jovens que tinham este plano, eu fui uma das três que tive a sorte de ser escolhida por IN VIA para vir a Fortaleza e trabalhar no Emaús Vila Velha.
MEVV - Você está terminando seu trabalho aqui no Emaús Vila Velha. Qual sua avaliação desse período?
VH - A minha avaliação deste trabalho é muito positiva. Eu conheci, comecei a admirar, amar e talvez até aprender a filosofia de Emaús. Este trabalho me ensinou muito sobre o valor que cada pessoa que vive neste mundo tem, sobre o valor da vida. Eu acredito que isso me ajudará muito no meu futuro e já está me ajudando no presente.
MEVV - O que mudou em você depois deste período aqui em Fortaleza?
VH - Eu e as pessoas que conheci aqui e até meus amigos e minha família da Alemanha perceberam que eu mudei nestes doze meses que eu vivi em Fortaleza e trabalhei no Emaús Vila Velha. Eu acredito que, pelas experiências que vivi neste período, tornei-me uma pessoa mais madura, mais responsável e aprendi a aproveitar mais cada momento que estou vivendo. Aprendi a valorizar tantos os momentos de alegria quanto também os de tristeza e a valorizar cada pessoa com quem a gente convive. Eu vi a experiência que qualquer dificuldade que passamos nos ensina algo e nos leva para frente. E que a vida é, de uma certa forma, uma troca. Eu sei que deixo algo de mim aqui e levo muito daqui comigo para Alemanha.
MEVV - Qual a sua opinião sobre o Emaús Vila Velha?
VH - O Movimento Emaús Vila Velha é uma ONG muito boa com uma filosofia maravilhosa. Eu acredito que todo movimento que queira funcionar independente, sem a ajuda do Governo, assim como o Emaús Vila Velha, tem dificuldades e comete erros. Penso que seria uma boa idéia se o Emaús tentasse passar mais informações sobre a sua filosofia para seus companheiros para que eles passem a se identificar mais com seu trabalho e realizá-lo melhor. Também seria bom que o Emaús ajudasse seus companheiros a terminar seus estudos e os motivassem a isso.
MEVV - O que poderia ser feito para melhorar o trabalho aqui na comunidade?
VH - As pessoas que fazem parte do movimento Emaús ganham uma chance muito especial que é se ajudar e ajudar a muitas outras pessoas.
MEVV – O que você acha da participação de jovens no trabalho de Emaús?
VH - Eu acredito que a participação de jovens no Emaús é muito importante, ainda mais com a importância do movimento. Pra mim, é algo que não pode ficar parado, pois o Emaús tem a chance de se desenvolver e melhorar aproveitando novas idéias.